Algumas pessoas descrevem seus sintomas assim:

  • “Parece que estou bêbado o tempo todo.”
  • “Sinto como se o chão estivesse mole.”
  • “Não chego a ver tudo girar, mas estou sempre meio fora do eixo.”

Essa sensação de desequilíbrio constante, sem vertigem intensa e sem consumo de álcool, pode ter várias causas – muitas delas ligadas ao sistema de equilíbrio.

O que pode causar essa sensação de “embriaguez”?

Algumas possibilidades:

  • Disfunções vestibulares crônicas
    • Problemas no labirinto que não geram crises de vertigem intensa, mas mantêm um desequilíbrio “de fundo”.
  • Compensação incompleta após uma crise aguda
    • Após uma neurite vestibular, labirintite viral ou outra agressão ao labirinto, o cérebro às vezes não se adapta totalmente sozinho.
  • Problemas na visão ou na propriocepção
    • Alterações visuais (grau mal corrigido, visão dupla, catarata)
    • ou problemas nos pés/pernas/coluna que afetem a “sensação do corpo no espaço”.
  • Uso de medicamentos
    • Sedativos, algumas drogas para ansiedade, sono ou epilepsia, por exemplo, podem deixar a pessoa “lerda” e sem firmeza.
  • Causas neurológicas ou metabólicas
    • Doenças neurológicas, alterações de glicose, da tireoide, anemia, entre outras.
  • Tontura persistente pós-evento (como PPPD)
    • Um quadro em que, após um gatilho (crise vestibular, estresse intenso, trauma), a pessoa desenvolve sensação constante de instabilidade, muito ligada à interação entre sistema vestibular e ansiedade.

Mitos e verdades

“Se não vejo tudo girar, não é problema de labirinto.”

  • Mito. Nem toda alteração vestibular causa vertigem “rotatória clássica”.
    Muitas geram sensação de instabilidade, flutuação ou “embriaguez”.

“Não devo evitar sair de casa para não piorar.”

  • Em geral, evitar totalmente o movimento pode piorar a adaptação do sistema.
    A orientação costuma ser exposição gradual e segura, não isolamento completo.

“Como os exames de imagem deram normais, é psicológico.”

  • Nem sempre. Vários distúrbios vestibulares e funcionais não aparecem em exames convencionais, e ainda assim são reais e tratáveis.

O que observar antes da consulta?

Algumas informações ajudam muito:

  • Quando começou a sensação de desequilíbrio?
  • Ela é constante ou vem em crises?
  • Piora em ambientes específicos (supermercado, shopping, lugares cheios, muita luz)?
  • Há zumbido, perda auditiva, dor de cabeça, visão turva ou outros sintomas associados?
  • Usa medicamentos contínuos? Houve mudança recente de dose?

 

O que pode ajudar na prática?

  • Avaliação clínica completa
    • Para descartar causas neurológicas, metabólicas, medicamentosas.
  • Avaliação otoneurológica
    • Para investigar o labirinto e o sistema de equilíbrio.
  • Reabilitação vestibular
    • Em muitos quadros de instabilidade crônica, os exercícios são fundamentais para melhora.
  • Abordagem de fatores emocionais
    • Em condições como tontura persistente pós-evento, o componente emocional é importante; psicoterapia e manejo da ansiedade podem ser decisivos.

Em resumo

  • Sentir-se “embriagado” sem beber, com desequilíbrio constante, não é frescura, nem deve ser ignorado.
  • As causas são variadas e exigem avaliação individualizada.
  • Com investigação adequada e tratamento combinado (clínico, vestibular, emocional), muitas pessoas conseguem reduzir bastante essa sensação e retomar a rotina com mais segurança.