Tontura nem sempre é “só do ouvido”. Doenças como diabetes e hipertensão (pressão alta) podem afetar a circulação e os nervos, influenciando diretamente o labirinto e o equilíbrio.
Como a circulação interfere no labirinto?
O ouvido interno é uma região muito sensível, irrigada por vasos finos. Alterações na circulação podem:
- prejudicar o suprimento de sangue e oxigênio,
- alterar o funcionamento das células responsáveis pelo equilíbrio e pela audição,
- favorecer sintomas como tontura, zumbido, sensação de ouvido tampado e até perda auditiva.
Diabetes e tontura
No diabetes mal controlado, podem ocorrer:
- alterações nos pequenos vasos sanguíneos (microangiopatia),
- comprometimento de nervos (neuropatia diabética), inclusive os relacionados ao equilíbrio.
Além disso, oscilações grandes de glicemia (açúcar no sangue) podem provocar:
- mal-estar, fraqueza, sensação de “cabeça leve”,
- piora de tonturas pré-existentes.
Pressão alta (e baixa) e o labirinto
- Pressão alta sem controle pode, ao longo do tempo, afetar vasos cerebrais e do ouvido interno, contribuindo para sintomas otoneurológicos.
- Quedas bruscas de pressão (por exemplo, após ajuste de medicação, desidratação, calor excessivo) podem levar a:
- sensação de desmaio,
- tontura ao levantar,
- instabilidade.
Mitos e verdades
“Minha tontura é só da labirintite, não tem nada a ver com diabetes ou pressão.”
- Mito. O organismo é um só. Doenças sistêmicas como diabetes e hipertensão podem piorar ou até desencadear sintomas de tontura e zumbido.
“Se eu controlar a pressão e o diabetes, nunca mais terei tontura.”
- Nem sempre.
- O bom controle reduz o risco de problemas no labirinto, mas não impede todas as causas possíveis de tontura.
- Ainda assim, é um pilar fundamental do tratamento.
“Já que tenho tontura, posso mexer na medicação de pressão por conta própria.”
- Mito perigoso. Ajustes de medicação devem ser feitos sempre com o médico, para não correr riscos de descompensar a pressão ou a glicemia.
O que o paciente pode fazer na prática?
- Manter controle rigoroso de diabetes e pressão
- Seguir orientações médicas, usar medicação corretamente, fazer exames periódicos.
- Informar ao médico sobre tonturas e zumbidos
- Não falar só de “pressão e glicemia”; mencionar sintomas de equilíbrio e audição também.
- Cuidar de hábitos de vida
- Alimentação equilibrada, atividade física regular, sono adequado, evitar tabagismo e excesso de álcool.
- Evitar automedicação para tontura
- “Remedinhos” podem mascarar sintomas sem tratar a causa e, em alguns casos, interagir com medicamentos já em uso.
Em resumo
- Diabetes e hipertensão não afetam apenas coração e rins: podem interferir também no labirinto e na audição.
- Controlar essas doenças sistêmicas é parte importante do tratamento e prevenção de tonturas e zumbidos.
- Avaliar o paciente como um todo é sempre melhor do que tratar o ouvido “isolado” do resto do corpo.




