Muita gente conhece enxaqueca como “uma dor de cabeça forte, latejante, às vezes com náusea e sensibilidade à luz”. Mas existe uma forma em que o principal sintoma não é a dor, e sim a tontura: a chamada enxaqueca vestibular.
O que é enxaqueca vestibular?
É uma condição em que a pessoa tem:
- história de enxaqueca (presente ou passada),
- episódios recorrentes de vertigem ou tontura importante,
- muitas vezes acompanhados de sensibilidade à luz, ao som, cheiros, enjoo, dificuldade de concentração,
com ou sem dor de cabeça forte no momento da crise.
O paciente pode sentir:
- sensação de tudo ou ele próprio estar girando,
- flutuação, desequilíbrio,
- mal-estar intenso em ambientes com muito movimento visual (supermercado, shopping, trânsito),
- desconforto ao mexer a cabeça ou ao ser passageiro em carro/ônibus.
Mitos e verdades sobre enxaqueca vestibular
“Se não estou com dor de cabeça, não pode ser enxaqueca.”
- Mito. Na enxaqueca vestibular, a tontura pode ser o sintoma principal, e a dor de cabeça estar ausente ou muito discreta.
“Enxaqueca vestibular é problema de labirinto?”
- Parcialmente. O labirinto participa, mas a origem é uma disfunção do processamento sensorial no cérebro, que envolve tanto o sistema vestibular quanto outras áreas.
Por isso, é uma condição neuro-otológica, na interface entre otorrino e neurologia.
“Só quem tem enxaqueca há anos pode ter enxaqueca vestibular.”
- Mito. Às vezes, o primeiro grande problema que chama atenção é a tontura recorrente, e só na investigação se descobre a relação com enxaqueca (própria ou familiar).
“Não tem tratamento, é para conviver assim.”
- Mito. Assim como na enxaqueca “clássica”, há medidas de estilo de vida, tratamentos preventivos, medicamentos de crise e, em alguns casos, reabilitação vestibular que ajudam muito.
Gatilhos comuns
Pacientes com enxaqueca vestibular costumam relatar piora com:
- privação de sono ou rotina muito irregular,
- jejum prolongado,
- estresse intenso,
- alguns alimentos ou bebidas (varia de pessoa para pessoa: álcool, queijos curados, chocolate, embutidos, cafeína em excesso, etc.),
- estímulos visuais fortes (luzes piscantes, telas, ambientes muito movimentados).
Mapear esses gatilhos é parte importante do tratamento.
O que ajuda na prática?
- Regularidade do estilo de vida
- Horários mais estáveis para dormir, acordar e se alimentar;
- Hidratação adequada;
- Redução de longos períodos em jejum.
- Controle do estresse
- Técnicas de relaxamento, atividade física, psicoterapia quando indicado.
- Medicação preventiva (quando necessário)
- Em casos de crises frequentes ou muito incapacitantes, o médico pode indicar tratamento preventivo, semelhante ao que se usa em enxaqueca clássica, ajustado ao perfil do paciente.
- Reabilitação vestibular
- Em alguns casos, exercícios guiados ajudam o cérebro a lidar melhor com os estímulos que disparam a tontura.
Quando suspeitar de enxaqueca vestibular?
Vale levantar essa hipótese se:
- você tem história de enxaqueca (sua ou na família);
- apresenta crises de tontura com ou sem dor de cabeça, às vezes associadas a náusea, sensibilidade à luz ou som;
- os exames do labirinto e de imagem vêm normais ou com alterações discretas, mas os sintomas persistem;
- as crises são recorrentes e atrapalham trabalho, estudo ou vida social.
Em resumo
- Na enxaqueca vestibular, a tontura é um dos principais sintomas, podendo ou não vir acompanhada de dor de cabeça intensa.
- Trata-se de uma condição em que o cérebro processa de forma diferente os estímulos do equilíbrio e da visão.
- Não é frescura, nem “apenas ansiedade”.
- Com diagnóstico correto e abordagem combinada (estilo de vida, controle de gatilhos, medicação quando necessária e, às vezes, reabilitação vestibular), é possível reduzir bastante a frequência e a intensidade das crises.



