Zumbido e sono ruim formam uma dupla complicada. Para muitos pacientes, a queixa é clara:

  • “De dia até consigo relevar, mas à noite o zumbido parece mais alto e não me deixa dormir.”
  • “Quanto pior eu durmo, mais o zumbido incomoda no dia seguinte.”

Isso cria um círculo vicioso: o zumbido atrapalha o sono, o sono ruim aumenta a percepção do zumbido.

 

Por que o zumbido incomoda mais à noite?

Durante a noite o ambiente fica mais silencioso, a atenção se volta para dentro (sensações do corpo, preocupações, pensamentos), falta a “distração” de sons externos e atividades.

Assim, um zumbido que passa quase despercebido durante o dia pode parecer muito mais intenso no silêncio do quarto.
Além disso, preocupação com o próprio zumbido (“será que vai piorar?”) ativa a ansiedade, que atrapalha ainda mais o sono.

 

Como a insônia piora a percepção do zumbido?

Dormir mal:

  • deixa o cérebro mais sensível a estímulos;
  • reduz a tolerância a incômodos;
  • aumenta irritabilidade e ansiedade.

Isso faz com que o zumbido pareça:

  • mais alto,
  • mais “invasivo”,
  • mais difícil de ignorar.

Mitos e verdades

“Se eu tivesse força de vontade, eu simplesmente ignoraria o zumbido e dormiria.”

  • Mito. Não se trata de “força de vontade”.
    • Zumbido e insônia têm bases fisiológicas e emocionais reais, que merecem abordagem técnica e acolhedora.

“Só remédio para dormir resolve o problema.”

  • Nem sempre.
    • Alguns medicamentos podem ajudar temporariamente, mas não tratam a relação entre zumbido, ansiedade e hábitos de sono.
    • E muitos têm efeito colateral, principalmente em uso prolongado.

“Não tem muito o que fazer, é se conformar.”

  • Mito.
    • Há várias estratégias para tornar o zumbido menos incômodo à noite e melhorar o sono, combinando orientações, som ambiente, manejo da ansiedade e, em alguns casos, terapia especializada.

Estratégias práticas para lidar com zumbido à noite

  1. Evitar silêncio absoluto
    • Um ruído de fundo suave pode “mascarar” parcialmente o zumbido:
      • ventilador,
      • aplicativo de ruído branco,
      • sons de natureza (chuva, mar, floresta) em volume baixo.
  2. Criar rotina de desaceleração antes de dormir
    • Evitar telas (celular, tablet, TV) na última hora;
    • Fazer atividades relaxantes: leitura leve, banho morno, respiração profunda.
  3. Cuidar da posição
    • Em alguns casos, o zumbido parece maior ao deitar em um lado específico; vale comentar isso na consulta, pois pode orientar a avaliação.
  4. Evitar estimulantes à noite
    • Café, energéticos, nicotina, excesso de álcool podem agravar insônia e, indiretamente, o incômodo com o zumbido.
  5. Trabalhar pensamento e ansiedade relacionados ao zumbido
    • Terapias como Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) para insônia e para zumbido ajudam a mudar a forma como o cérebro reage ao sintoma, reduzindo sofrimento.

Quando procurar ajuda especializada?

Vale buscar avaliação se:

  • o zumbido é constante e atrapalha o sono com frequência;
  • você passa a evitar deitar por medo do incômodo;
  • há associação com ansiedade intensa, tristeza ou irritabilidade;
  • mesmo seguindo medidas de higiene do sono, a insônia persiste.

Nesses casos, pode ser recomendado:

  • avaliação otoneurológica,
  • avaliação do sono (e, se necessário, estudo de distúrbios como apneia),
  • apoio psicológico focado em insônia e manejo de zumbido.

Em resumo

  • Zumbido e insônia frequentemente se alimentam mutuamente, criando um ciclo de piora recíproca.
  • Romper esse ciclo exige combinar cuidados com o sono, manejo da ansiedade e estratégias específicas para o zumbido.
  • Não é preciso “se conformar”: ajustes na rotina e, quando necessário, acompanhamento especializado podem tornar as noites muito mais suportáveis e restauradoras.